Resolução de problemas: como ela ajuda no ensino de matemática e ciências

Resolução de problemas: como ela ajuda no ensino de matemática e ciências

Se você trabalha com educação, já deve ter ouvido falar em ABL (Aprendizagem Baseada em Projetos) ou PBL (Project Base Learning). Mas, o que essas siglas representam? Trata-se de um modelo metodológico que tem como princípio pedagógico a resolução de problemas, considerando como ponto de partida a realidade cotidiana dos alunos, suas vivências e suas experiências. Um dos principais focos dessa proposta é a construção do conhecimento, que acontece a partir do trabalho coletivo de formulação de hipóteses e busca de respostas. Venha saber mais sobre a resolução de problemas, seu caráter interdisciplinar e quais as vantagens de aplicar o método nas áreas de matemática e ciências.

Como aplicar a resolução de problemas em sala de aula?

Em primeiro lugar, esqueça os modelos de problemas com os quais você sempre se deparou (principalmente no ensino de Matemática). A exposição de situações hipotéticas e maçantes não condiz mais com a realidade dos alunos atuais, mais conectados e “acelerados” do que nunca. A grande inovação desse modelo está em formular questões que atraiam a atenção (pelo seu conteúdo relevante) e gerem interesse para pesquisa (com objetivo de encontrar as respostas). Também vale destacar que o trabalho baseado em resolução de problemas traz uma atualização do papel do professor: ao invés de passar todo o conteúdo previsto e trazer os problemas como forma de avaliar se o conhecimento foi apreendido, o docente assume o papel de mediador, apresentado o problema e mediando os caminhos percorridos até que os alunos encontrem a resposta. Tão importante quanto solucionar o problema é fomentar a discussão e fornecer ferramentas para que isso aconteça.

A resolução de problemas aplicada ao ensino de Matemática e Ciências

Na metodologia ABL, o modelo tradicional de aplicação de problemas como parte de revisão, fixação ou avaliação de um conteúdo é substituído por um processo interativo de aprendizagem, que instiga a curiosidade e estimula a participação ativa dos alunos.

Dessa maneira, ao invés de apresentar listas de problemas a serem resolvidos como parte de deveres de casa ou nas provas finais, com situações hipotéticas (“Joãozinho tinha XX balas e ganhou mais XX de sua tia; no final, quantas balas tinha?”), a introdução dos conteúdos a serem apreendidos pelos alunos já se apresenta em forma de um problema a ser solucionado.

Imagine uma aula que não se inicia de maneira expositiva ou com leituras de livros, mas, sim com o professor apresentando uma questão intrigante – como “se um dia tem 24h, quanto tempos passamos dormindo?” ou “qual a distância que cada um de vocês percorre até chegar até a escola?”. A partir de questionamentos aparentemente simples, abre-se um leque de trabalho interdisciplinar, combinando conceitos de tempo, distância, ciências biológicas e questões sociais – para ficar nesses exemplos. Ao levar em consideração a realidade em que os alunos estão inseridos e trazer suas vivências para o contexto do ensino, o professor abre espaço para as trocas e discussões necessárias para um rico processo de ensino/aprendizagem.

A resolução de problemas no cotidiano da sala de aula

Ao se trabalhar com a metodologia de resolução de problemas, faz-se necessário um alinhamento com um plano de ensino que contemple todas as etapas desse processo. Afinal, para resolver as questões propostas, os alunos precisam ir além dos conhecimentos que já possuem – esses, são muito importantes na fase inicial da resolução de problemas. Mas, é através da formulação de hipóteses (possíveis soluções) e através da busca de novos conhecimentos (proporcionados e mediados pelo professor) que a eficácia do método se contempla.

Na prática cotidiana, o papel do professor ao aplicar a resolução do problema é:

  • Trazer uma proposição, descrevendo o problema, que pode ser interdisciplinar;
  • Estabelecer as metas a serem atingidas pelos alunos, ou seja, o que eles devem determinar ao final de cada problema (hipóteses, soluções, alternativas);
  • Ser o mediador de debates e gerar discussões produtivas acerca das hipóteses levantadas;
  • Fornecer subsídios para a busca dos novos conhecimentos (conteúdo específico, incentivo às pesquisas);
  • Controlar o tempo necessário para as atividades (geralmente, não se encerram em um único dia, pois demandam pesquisas e aquisição de mais conhecimento);
  • Fornecer feedback constante ao final da atividade (mostrando a importância de cada etapa em busca da resposta).

Quais são as vantagens de adotar resolução de problemas com meus alunos?

O caráter investigativo do método, a partir de estudos de caso, colocam o sujeito (aluno) no centro do processo de aprendizagem. Através de pesquisa, busca de conhecimento, formulação de hipóteses e trocas de experiências, garante-se a fixação e retenção dos conteúdos e competências por parte dos alunos. Além disso, a resolução de problemas também traz os seguintes benefícios:

  • Maior participação: com situações próximas da realidade, os alunos tendem a participar de maneira mais ativa das questões, dando suas ideias e trocando informações sobre suas experiências.
  • Estímulo da criatividade: como nesse modelo não há uma resposta certa previamente ensinada para um problema posto, os alunos precisam usar seu potencial criativo na busca por soluções.
  • Incentivo à pesquisa: a busca pelo conhecimento na resolução de problemas é uma etapa de extrema importância, na qual o aluno se torna elemento ativo na construção do seu conhecimento. Além dos materiais didáticos dispostos em sala e mediados pelo professor, podem ser realizadas pesquisas em bibliotecas, ambientes virtuais e até em entrevistas com familiares e pessoas próximas.
  • Responsabilidade, trabalho em equipe e organização: as atividades de resolução de problemas podem ser distribuídas em times dentro de uma sala, tendo como fechamento uma apresentação de resultados para a turma toda. Além da responsabilidade de mostrar seus resultados para os colegas, cada equipe também precisará se organizar para cumprir os prazos propostos pelo professor.

Agora que você conhece um pouco sobre esse modelo metodológico que tem como princípio pedagógico a resolução de problemas, pode buscar conteúdos para se aprofundar no tema, que tem despertado muito interesse de profissionais ligados à educação.

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Por: Zoom Education